Essa escrita é ficção ou realidade?

Neste blog você não encontrara um registro de ficção. Todo escrito acontece em devir-mulher. As vezes falo de mim. Eu, Maria da Penha, que mora no extremo leste da periferia em São Paulo. Escrevo por uma questão de saúde, de vida.
Você também não encontrará a realidade. Pois existem várias realidade de si, e essa real verdade não é realidade também.
Primeiro pensamos sobre alguma, entendemos o que significa e depois sentimos algo sobre o acontecimento. Sim, eu escrevo acontecimento.
O acontecimento é uma experiência com o mundo-eu, mundo-outro, mundo-coisas e mundo-mídia. Na experiência com o mundo-mundos, aberto, acontece alguma coisa, experienciamos. Este, acontecimento, pode nos significar algo, então podemos pensar sobre ela.
Esse viés de experimentação, é perigoso. Temos muitos desconhecimentos de nós-mundo. Dos acontecimento da nossa infância até a dita fase adulta (Para os psicobobos de plantão) não estou relacionando infância-adulto, a dicotomia de níveis, de consciência da sociedade, nem mesmo me refiro a tais figuras compostos de um inconsciente privado que delira sobre pai-mãe-filhinha, apenas. Temos vários delírios e outras fantasias e fantasmas no contemporâneo com o alto nível de consumo de imagens, videos, informações da mídia e da pós-mídia.
Lembrar da criança, que ainda faz parte de nós ou não, independe da nossa idade, dos traumas e absurdos introduzidos brutalmente pelo mundo-adulto cêntrico.  Obviamente se inicia um processo de quebrar os sentidos do nosso corpo. Assim começa uma realidade, uma escrita de si, uma corporeidade no plano da imanência, escrever se torna uma cura.
Ao mesmo tempo, uma identidade de quem escreve, de uma pessoa, é uma fraqueza. É necessário se distanciar dessa fraqueza, é se deslocar do mundo-mundo, na invenção de outras constelações. E fazer todas as coisas perderem ser seu sentido, sem lugar, sem caminho, sem forma. E destruir o mundo, na cabeça. E experienciar, como uma criança que sorri para todos as coisas, não com a ideia de alegria ou felicidade, mesmo porque isso é o pensamento depois da experiência, esse sorriso, é apenas o simbolo de ser aberto ao desconhecido, mundo real.