Plantar no meu corpo: endometriose.
, a dor no peito
aperto do coração..útero fisgando
diagnose: depressão,
em outra época histeria. Tratamento: Masturbação.
Hoje também síndrome do pânico: sertralina, fluoxetina, quetiapina.
má digestão.
Uma nova expressão: os hormônios.
Ah, pensamento clínico desgraçado enquadrou meu útero em uma menstruação salarial.
As raízes flutuam pelo chão, o ar amorfo incorpora um elemento novo na terra
Quem cultiva: máquina, guerra e desumanização. Colhe a escuridão.
E não vê o absurdo, do humano, lua cheia, carnaval, e um devir
de desejo revolucionário de nossas vidas se expandir…
vem ver meu vaso, eu pintei…olha minha planta …é incenso,
tem cheiro, não é inodoro …
eu podei, agora ela vai crescer bonita e ela vai ficar caindo, assim, pra baixo.
eu não sou tão outra assim, a gente é quase o mesmo…
Olha meu corpo, especificamente, meu útero, eu podei.
o absurdo do humano impede nossa vida de se expandir.
Absurdo humano: guerra, máquina, desumanização…quem cultiva colhe escuridão…
então, apesar do desejo revolucionário de expandir a vida, do trabalho reprodutivo
Pra que ter um filho se ele é a perpetuação do absurdo humano: máquina, guerra e desumanização.
o mundo no corpo
3º dia de lua cheia,
Me sinto completamente sozinha. É uma solidão devastadora. Como se o que sinto não aparecesse e nem coubesse em nenhum lugar. Não apenas com esse cenário mesquinho de golpe, da direita, da rede globo, dos empresários mas também com a escalada fascista sutil, que passa pelos corredores, pelas vielas, pelas ruas, mercados e condomínios. E imediatamente me dizem, com ódio: Você é uma mulher! Assim esta condição me arrasta para as profundezas que de forma alguma queria chegar, arranca minha pele, incha meu corpo vibrátil até explodir meus órgãos. Minha coluna se desmonta. Tem uma potencia que fica entre meu útero e minha coluna que dói. Como se eu fosse um pedaço de qualquer coisa. Em alguns anos, minhas partes corroídas pelas algas, suposta natureza de mim, deixo de existir.
Condição nossa, autodestruição de si.
Ser mulher, permanecer na superfície da destruição,
do cansaço, do calabouço,
Da carniça morta, nascem flores..
Apesar do peso do asfalto e grades,
conservadores da história!
eu não sou tão outra assim, a gente, eu, você é quase o mesmo.
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